Por que a Ásia está a tornar-se a capital mundial do Bitcoin
Há muito consideradas experiências marginais, as empresas de tesouraria Bitcoin são agora atores principais no mercado de criptoativos. Inspiradas por pioneiros como a MicroStrategy, estas empresas acumulam bitcoins nos seus balanços. Equilibram-se entre atividades operacionais e veículos de investimento cripto.

Nos últimos meses, o fenómeno acelerou particularmente na Ásia, atraindo a atenção de investidores, reguladores e conselhos de administração. A questão fundamental é saber se estas “Bitcoin treasuries” conseguirão sobreviver a um reforço da supervisão regulatória ou se desmoronarão sob o peso dos riscos que se acumulam.
Adoção explosiva na Ásia, mas a que preço ?
Segundo dados da K33 Research, o número de empresas públicas que detêm Bitcoin praticamente duplicou no primeiro semestre de 2025, passando de 70 para 134. No total, estas empresas adquiriram 244.991 BTC. Entre elas, contam-se 8 empresas japonesas, sinal de que a Ásia passou de um papel de espectador para o de ator principal.

Esta rápida expansão levanta, no entanto, questões fundamentais em termos de supervisão, estabilidade e viabilidade a longo prazo. Os reguladores preocupam-se especialmente com os ecos desconfortáveis que lembram as bolhas especulativas do passado, misturando efeito de alavancagem e entusiasmo mediático.
Se as empresas de tesouraria Bitcoin prometem exposição ao BTC sem constrangimentos de gestão, também criam novos riscos. Destaca-se a dependência excessiva do endividamento convertível, com uma parede de refinanciamento de 12,8 mil milhões de dólares até 2028. Isto expõe atores-chave como a MicroStrategy a um risco de incumprimento em caso de reversão do mercado.
Outro desafio importante : os prémios elevados, que chegam a 200-300% do valor líquido do inventário, aos quais estes títulos são negociados. Quando estes prémios colapsam, a emissão de ações já não reforça a detenção de BTC por ação, mas dilui-a, ameaçando a viabilidade do modelo.
BTC na mira dos reguladores asiáticos
Face a estes riscos, os reguladores asiáticos parecem prontos a endurecer o enquadramento. A APEC apelou assim ao reforço da confiança e segurança nos ecossistemas digitais. Anuncia evoluções regulatórias futuras. O Japão e Singapura, em particular, deverão clarificar as normas contabilísticas e de proteção dos investidores.
Para as empresas de tesouraria Bitcoin, a sobrevivência dependerá da sua capacidade de adaptação a um ambiente regulatório em plena mutação. Apenas aquelas que demonstrarem disciplina financeira, transparência e crescimento sensato das suas participações em BTC por ação deverão atravessar este período delicado.
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