Por que este especialista aposta nos 100 dólares ?
A prata, muitas vezes relegada para segundo plano face ao ouro, impõe-se como um protagonista importante em 2025. Com uma valorização de 40% desde janeiro, o metal branco ultrapassou os 41 dólares por onça no início de setembro, um máximo histórico dos últimos 14 anos.
Keith Neumeyer, CEO da First Majestic Silver, não mede palavras: prevê que a prata alcance 100 dólares, ou mesmo 130 dólares, num futuro próximo. Esta previsão, que tem defendido desde 2017 em entrevistas com a Kitco, Palisade Radio e Wall Street Silver, baseia-se numa combinação explosiva: um défice estrutural de oferta, uma procura industrial em pleno crescimento e uma subvalorização crónica face ao ouro. Mas com 175% acima do seu preço atual, será o caminho para os 100 dólares realista?
Neumeyer baseia o seu otimismo em vários pilares. Primeiro, o défice de oferta: em 2024, a produção mineira mundial de prata situa-se em cerca de 800 milhões de onças, contra um consumo de 1,2 a 1,4 mil milhões de onças, impulsionado pela eletrificação (painéis solares, veículos elétricos) e IA. Este défice, estimado em 150-200 milhões de onças por ano, está a erodir as reservas físicas, que diminuíram 500 milhões de onças em 10 anos, segundo Maria Smirnova da Sprott Asset Management.
Além disso, a prata está subvalorizada: com um rácio ouro/prata de 90:1 (contra uma norma mineira de 7:1), um ouro a 3.000 dólares implica uma prata a 70 dólares no mínimo. Neumeyer insiste: um catalisador, como um pânico no COMEX ou uma tomada de posição de um ator importante (Elon Musk?), poderia desencadear uma corrida.
Ele também critica a manipulação do mercado de papel: os bancos, através de contratos de derivados, mantêm a prata abaixo dos 30 dólares, mas uma retirada dos mineiros do sistema poderia provocar um choque de oferta. A First Majestic lançou inclusive a sua própria fundição, a First Mint, para contornar este sistema.
O preço da prata é influenciado pelas mesmas forças que o ouro – dólar forte, taxas da Fed, geopolítica – mas a sua volatilidade é amplificada pela sua dupla natureza: ativo de refúgio e metal industrial.
As reduções de taxas esperadas (25 pontos base na reunião do FOMC de 17 de setembro, probabilidade de 96%) apoiam os metais preciosos, tendo a prata subido para 41 dólares num contexto de desdolarização e tensões geopolíticas. A procura industrial, especialmente para painéis solares (300 milhões de onças/ano), continua a ser um motor fundamental, impulsionada por políticas favoráveis às energias verdes na Índia e na China.
100 dólares : Realista ou utópico ?
Atingir 100 dólares requer um aumento de 175%, mas a história fornece algumas pistas. A prata atingiu 49,45 dólares em 1980 e 48,70 dólares em 2011, impulsionada por uma procura de investimento maciça.
Em 2025, os ETF de prata absorvem 20 milhões de onças desde o início do ano, o que contribui para esta subida.
Além disso, Gary Savage (Smart Money Tracker) prevê que os 100 dólares serão atingidos “facilmente”, chegando até aos 500 dólares dentro de 3-4 anos, caso ocorra um pânico no COMEX. Willem Middelkoop (Commodity Discovery Fund) e Mark O’Byrne (Tara Coins) preveem 100-150 dólares até 2030, enquanto a InvestingHaven aponta para 49 dólares em 2025 e 82 dólares em 2030.
No entanto, um dólar forte ou um tom agressivo de Powell na reunião do FOMC poderia travar o impulso. A procura industrial, embora robusta, poderá estagnar se a transição energética abrandar. Além disso, a volatilidade do mercado de papel continua a ser um obstáculo, como nota Neumeyer.
A prata, a 41 dólares, encontra-se em pleno bull run, impulsionada por um défice de oferta, uma procura industrial e uma desdolarização crescente. Neumeyer e outros especialistas (Savage, Middelkoop) veem os 100 dólares como alcançáveis, mas é necessário um catalisador. Os investidores devem monitorizar o FOMC e os fluxos de ETF para antecipar o próximo movimento. Subscreva a nossa newsletter para acompanhar as últimas tendências.
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