Tether anuncia uma stablecoin 100% americana : uma aposta audaciosa diante das leis pró-crypto de Trump
Tether, líder mundial em stablecoins com seu USDT, está considerando uma grande incursão nos Estados Unidos ao lançar um token exclusivamente dedicado a esse mercado. Uma decisão motivada pelo impulso pró-criptomoedas da administração Trump, que promete regulações favoráveis para impulsionar as stablecoins domésticas.
No entanto, será que este projeto ambicioso pode realmente remodelar o cenário financeiro ou a Tether está se aventurando em terreno instável?
Paolo Ardoino, CEO da Tether, revelou ao Financial Times que a empresa está em ativa discussão com os reguladores americanos para moldar um quadro legal adequado para as stablecoins, esses ativos digitais atrelados a moedas como o dólar.
Segundo ele, a administração Trump enxerga nesses tokens uma alavanca estratégica para a economia nacional. Se as novas regras oferecerem um terreno competitivo, a Tether poderá lançar uma stablecoin focada em pagamentos, feita sob medida para os Estados Unidos.
Com 144 bilhões de dólares em tokens USDT em circulação, a Tether é um gigante global, mas ainda não atua no mercado americano, onde não aceita clientes. Durante muito tempo sob escrutínio das autoridades por suspeitas de vínculos com atividades ilícitas – acusações que a empresa nega veementemente – a Tether busca se reinventar. Ardoino enfatiza uma cooperação proativa com o FBI, os Serviços Secretos e o Departamento de Justiça, sem esperar intimações judiciais.
Tether, um gigante da dívida americana
Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump tem uma ambição clara: tornar os Estados Unidos a “capital mundial das criptos“. Já em janeiro de 2025, ele exigiu regras para as stablecoins até agosto, ao mesmo tempo que flexibilizava as investigações da SEC sobre vários atores do setor. Esse ambiente, considerado “mais acolhedor” por Ardoino, o levou a pisar no solo americano pela primeira vez.
Com sede em El Salvador, a Tether não é apenas uma emissora de stablecoins. É também um importante agente da dívida pública americana, detendo bilhões em títulos do Tesouro para garantir suas reservas.
Graças ao aumento das taxas de juros, a empresa obteve 13 bilhões de dólares em lucros não auditados em 2024. Para reforçar sua credibilidade, a Tether está negociando com grandes firmas de auditoria para uma auditoria completa de suas reservas, uma demanda frequente dos críticos.
A Tether não está apenas esperando pelas leis. A empresa está ativa nos bastidores, colaborando com figuras-chave como os representantes Bryan Steil e French Hill, autores do STABLE Act apresentado em 6 de fevereiro. Ardoino também expressou o desejo de influenciar outros dois projetos de lei sobre as stablecoins.
Ao mesmo tempo, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, reiterou em 11 de fevereiro o apoio do Fed a um quadro regulatório que proteja consumidores e investidores.
Em suma, esta mudança para os Estados Unidos representa uma guinada radical para a Tether, que está acostumada a operar longe dos holofotes americanos. Uma stablecoin made in USA, se vier a existir, poderia legitimar a empresa aos olhos das instituições financeiras e impulsionar a adoção das stablecoins nos circuitos tradicionais.
No entanto, o caminho está repleto de desafios: transparência das reservas, conformidade com leis anti-lavagem de dinheiro e concorrência acirrada com atores como a Circle (USDC) continuam sendo desafios significativos. Os próximos meses dirão se a Tether conseguirá transformar esta oportunidade em sucesso ou se esta aposta audaciosa enfrentará as realidades regulatórias.
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